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Crise
e oportunidade na pesquisa escolar com a Internet
Ronaldo Barbosa
http://dinobrasilis.pro.br - dinobrasilis@yahoo.com.br
RCT Computadores na Escola Ltda - http://www.rctsoft.com.br
Última atualização: 07/2007
A Internet fez
desaparecer as antigas enciclopédias impressas, certo? Errado.
Lemos na revista Veja (edição de 15 de fevereiro de 2006) que
a enciclopédia Barsa teve seu faturamento triplicado nos últimos
cinco anos, recuperando-se do descrédito em que estava mergulhada desde
1997, sob o efeito da Internet.
A Internet apesar de ser um meio mais barato e rápido de se fazer pesquisas
ou consultar informações, é vista com crescente reserva
por muitos pais e educadores: os estudantes se dispersam facilmente, visitam
sites não relacionados aos temas das pesquisas e usam fontes de credibilidade
duvidosa. Assim, os vendedores da Barsa conseguem convencer os pais de que o
velho formato impresso de enciclopédia ainda é válido por
conter informações suficientemente atualizadas e confiáveis
e, portanto, adequadas às pesquisas escolares.
Crise
Pais e professores
reconhecem que mecanismos como o Google, convidam o estudante a não pensar.
O ato de "copiar-colar" de material contido no primeiro ou segundo
link domina aidéia de "pesquisa" na cabeça dos alunos.
Embora o "copiar-colar" seja tão antigo quanto o lápis
e papel, há agora com os computadores ao menos duas novidades com as
quais nós professores precisamos aprender a lidar:
(i) acessibilidade imediata a um volume imenso de fontes de informação
com e sem qualidade
e
(ii) facilidade do ato em si mesmo pois o aluno não precisa nem mesmo
ler antes de copiar, bastando dois ou três cliques com o mouse para transferir
o material e então inserir seu próprio nome.
Diante disso, alguns professores proíbem a entrega de trabalhos digitados
no computador na ilusão de inibirem o plágio dos trabalhos.
Evolução das enciclopédias no computador
Os esforços
para disponibilizar enciclopédias no computador começaram com
as enciclopédias em CD-ROM como Encarta ou Grolier. Nas últimas
versões dessas enciclopédias notava-se uma evolução
para o formato on-line: era possível aprofundar as pesquisas via Internet
em sites
associados a esses softwares. Com as facilidades de acesso à rede, os
mecanismos de busca evoluíram da simples localização de
sites para uma busca cada vez mais detalhada fazendo com que as enciclopédias
em CD-ROM (estas sim!) desaparecessem.
Sites especializados do tipo enciclopédia que contivessem informações
confiáveis apropriadas para pesquisas escolares como nas antigas enciclopédias
impressas ganharam um novo interesse.
Exemplo disso é o site Wikipédia (http://pt.wikipedia.org), livre
e gratuito.
No ar desde 2001, o Wikipedia conta com mais de 13000 voluntários em
todo o mundo e possui atualmente mais de 1.8 milhões de artigos em 200
idiomas. Além de disponibilizar gratuitamente em um mesmo espaço
informações sobre inúmeros assuntos, a novidade é
que o Wikipedia permite
que o próprio internauta nãoprofissional inclua novas entradas
em suas bases de dados.
Essa abertura gerou óbvios problemas de inconsistência e o risco
do Wikipedia também não ser uma fonte confiável.
Uma pesquisa recente da revista Nature, entretanto, desmente isso.
Comparando a veracidade de informações na Wikipedia e na Enciclopédia
Britânica impressa, a pesquisa da Nature surpreende: com relação
a fatos, omissões ou declarações duvidosas, o balanço
foi de 162 falhas na Wikipedia e 123 na Britânica. Isso significa que
a Wikipedia já é quase tão
eficiente
quanto a tradicional Enciclopédia Britânica e não duvidem
que em breve possa superá-la.
Entretanto, usar o Wikipédia, Barsa ou a Enciclopédia Britânica
como fonte única de consulta talvez seja restritivo demais e desperdice
uma série de oportunidades proporcionadas pela rede.
Um roteiro de trabalho
Existem inúmeros
bons sites de pesquisa nas mais diversas áreas.
Se a primeira idéia é recomendar aos alunos que acessem links
que constem de livros ou revistas especializadas, pode ser interessante também
tentar novos caminhos.
Para auxiliar o professor, elaboramos algumas recomendações, fruto
de discussões em cursos de formação de professores da rede
pública estadual que temos participado, com alguns relatos de bons resultados.
Antes de recomendar a pesquisa escolar na Internet, caberia ao professor(a):
1 - Ter clara as diferenças entre fazer uma "busca" e uma "pesquisa"
e qual a importância disso para a formação de seus alunos.
2 - Evitar pesquisas muito amplas ou sem referências. Por exemplo, em
lugar de sugerir uma pesquisa sobre "tsunamis", sugerir a busca dessa
palavra no site da revista Ciência Hoje (http://cienciahoje.uol.com.br).
O site da revista Ciência Hoje das Crianças (http://cienciahoje.uol.com.br/view/418),
é mais apropriado a alunos do ensino fundamental, por exemplo.
3 - Limitar a extensão do texto a ser entregue uma vez que trabalhos
mais curtos são mais difíceis de serem copiados e exigem uma reelaboração
(os professores em discussão sobre o assunto chegaram a um limite de
trinta linhas de texto em formato padrão Arial 12).
4 - Aprofundar o que sabem sobre o funcionamento de mecanismos de busca como
o uso de filtros, delimitadores e recursos de pesquisa avançada. Compartilhar
esse conhecimento com seus alunos.
5 - Mostrar aos alunos como o próprio mecanismo de busca pode ser usado
para detectar plágio (colocando passagens suspeitas do texto entre aspas
e repetindo a busca, por exemplo).
6 - Sugerir aos alunos que visitem e conheçam sites famosos pelo esquema
de venda de trabalhos escolares do gênero http://zemoleza.com.br ou http://www.suapesquisa.com.br.
Os dois últimos
itens servirão para enriquecer debates em sala de aula sobre questões
de plágio, autoria, originalidade e legalidade entre outras. Em um sentido
mais amplo, permitiria contemplar idéias de como a ciência e o
próprio conhecimento é construído, validado e compartilhado
(e
também descartado e ou copiado). Oportunidade rica para tratar de questões
de Filosofia ou História da Ciência, temas fascinantes mas quase
ausentes da sala de aula porque desvinculados de uma disciplina em particular.
Aliás, talvez devêssemos começar sempre por esse ponto:
os fins do que ensinamos e aprendemos em lugar dos meios que utilizamos sejam
eles impressos ou eletrônicos.
(Agradeço aos professores participantes do Projeto Teia do Saber/2006 que colaboraram com várias idéias aqui expressas)
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Bibliografia